quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dívida na Saúde

Dívida de hospitais da rede pública chega a R$ 93,5 milhões
De acordo com CPI da Saúde, faltam investimentos da prefeitura no setor
12/10/2011 - 12:51

EPTV
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Levantamento feito em hospitais da rede pública de Campinas mostra que o déficit financeiro nas instituições de saúde chega a R$ 7 milhões por mês. O acumulado das dívidas atinge a marca de R$ 93,5 milhões, e os números podem ser piores, uma vez que o Hospital Mário Gatti não divulgou o balanço das contas. O resultado da crise financeiras dos hospitais é a falta de médicos e a demora no atendimento dos usuário do SUS (Sistema Único de Saúde). A situação mais crítica no hospital psiquiátrico Cândido Ferreira, que tem uma dívida de R$ 43 milhões.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde foi instalada na Câmara de Campinas em setembro para investigar as irregularidades no setor. Presidentes e diretores dos hospitais da rede pública já foram ouvidos pelos vereadores da CPI. Além das dívidas, que é o principal problema em comum nas instituições, outro problema identificado foi que com a vinda de moradores de outras cidades a capacidade de atendimento fica prejudicada.

Segundo os membros da comissão, dos R$ 720 milhões do orçamento da prefeitura que deveria ser investido no setor de saúde, R$ 660 milhões foram de fato usados. De acordo com o presidente da CPI, Arly de Lara Romeo (PSB), cerca de 35% da verba é destinado ao pagamento de prestadoras de serviços e somente 2% em investimentos em infraestrutura. O secretário de Saúde, Francisco Kerr Saraiva, afirma que a prefeitura destina mais recursos à saúde do que determina a lei. Ele defende que é necessário buscar financiamentos estaduais e federais para melhorar as condições dos hospitais da cidade. O orçamento de Campinas de 2010 é de aproximadamente R$ 800 milhões.

Veja abaixo a situação de cada hospital:

Celso Pierro

Segundo o levantamento feito pela comissão 20% dos pacientes atendidos nos hospitais não são de Campinas. Vilma Gomes, moradora de Monte Sião, no Sul de Minas, contou à reportagem da EPTV que vem com freqüência à cidade para ser atendida no Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas. Ela alega que o atendimento é muito precário na cidade onde mora.

Segundo o superintendente da instituição, Antonio Celso de Moraes, a situação se tornou insustentável e existe a possibilidade de redução nos atendimentos a partir de 2012, na tentativa de diminuir o déficit operacional que atualmente chega a R$ 2 milhões por mês.

Santa Casa

Na Santa Casa, o déficit mensal chega a R$ 400 mil e os funcionários ameaçam entrar em greve por conta do atraso no pagamento de salários. A falta de profissionais prejudica a realização de cirurgias. O comerciante Irineu Marim seria submetido a um procedimento de retirada de hérnia. No entanto, como não havia anestesista para atendê-lo, a cirurgia foi cancelada. Depois de duas semanas, ele ainda não tem uma data definida para passar pelo procedimento.

Mário Gatti

O diretor clínico do Hospital Municipal Mário Gatti, Wilson Honorato da Silva, revelou em depoimento à CPI que atualmente 20% das cirurgias eletivas estão sendo canceladas porque não há médicos suficientes. E como a prioridade é a emergência, muitos profissionais acabam sendo deslocados para esse tipo de atendimento.

Ouro Verde

Apesar da falta de leitos na cidade, o Hospital Ouro Verde opera com 60% de sua capacidade. A instituição foi inaugura há três anos, mas por conta de uma dívida da prefeitura de R$ 4,5 milhões com a co-gestora do hospital, dez leitos foram fechados.

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