quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TCU fará auditoria no programa 'Minha Casa, Minha Vida'


Segundo ministro, o maior programa social do governo tem demonstrado deficiências operacionais, apesar dos vultosos recursos que recebe


29/02/2012 - 20h14 .
Agência Estado
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O Tribunal de Contas da União (TCU) vai realizar até junho uma auditoria no programa 'Minha Casa, Minha Vida'. A decisão foi aprovada nesta quarta-feira (29), atendendo à solicitação do ministro Raimundo Carreiro para quem 'o maior programa social do governo' tem demonstrado deficiências operacionais, apesar dos vultosos recursos que recebe. Carreiro citou entre as dificuldades a falta de cumprimento dos prazos para entrega das obras, a baixa qualidade das residências construídas, a mudança nos critérios de seleção de beneficiários, com a inclusão de porcentuais para atender idosos e portadores de necessidades especial, além do aumento nos limites de renda familiar para inclusão no programa.

'O meu objetivo é ajudar a presidente Dilma Rousseff no maior programa social existente no Brasil', argumentou o ministro. A decisão dos ministros do TCU foi unânime. Raimundo Carreiro lembrou que cabe ao Ministério das Cidades gerir o programa de 'ampla relevância social e econômica'. Ele chamou a atenção dos colegas para notícias sobre a disposição do governo de investir R$ 71,7 bilhões no programa até 2014. Desse total, R$ 62,2 bilhões sairão do Orçamento da União e R$ 9,5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A meta é construir 2 milhões de casas até 2014.

O ministro lembrou que os dados foram igualmente divulgados na reunião de 30 de janeiro dos ministros da Fazenda, Guido Mantega das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, dirigentes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, além de empresários da construção civil. O objetivo era avaliar o andamento do programa e definir metas de avanço.

'São notícias, entre outras muitas, que recomendam um exame mais detido, por este Tribunal sobre os aspectos operacionais do Minha Casa, Minha Vida', ressaltou. Ele informou que embora o programa tenha sido acompanhando pelo TCU desde a sua criação, ainda não passou por uma auditoria operacional. Lembrou, ainda, que a 6ª Secretaria de Controle Externo do Tribunal preparou um levantamento com o objetivo de subsidiar futuros trabalhos no programa. No seu entender, a realização de uma auditoria no 'Minha Casa, Minha Vida' representará 'valiosa contribuição na condução do programa, situado entre os de maior impacto econômico e social no País'.

TCE suspende licitação de radares da Emdec



Empresa questiona edital e processo é cancelado às pressas

28/02/2012 - 22h30 . Atualizada em 29/02/2012 - 06h41
Luciana Félix
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O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) suspendeu por tempo indeterminado o pregão de licitação para contratação de empresa ou consórcio para a fiscalização eletrônica de trânsito em Campinas (responsável, por exemplo, pelos radares e avanço semafórico). O processo marcado para acontecer na última segunda-feira, na sede da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), foi cancelado às pressas. A interrupção ocorreu após uma das empresas interessadas na licitação questionar o edital e afirmar que ele estaria confuso e restringia exageradamente a participação de interessados. A empresa Arclan - Serviços, Transportes e Comércio Ltda., de Catanduva, entrou com a representação junto ao TCE solicitando o exame prévio do edital do pregão, que seria presencial.

O documento será analisado pelo conselho do TCE, que decidirá pela continuação ou modificações no edital para a continuidade do processo. Ontem, a Emdec encaminhou para o órgão a sua defesa. A análise será realizada pelo conselheiro relator do tribunal, Cláudio Ferraz de Alvarenga. O órgão não informou se há um prazo para que isso ocorra. De acordo com a Emdec, 25 empresas se interessaram pela licitação. A empresa não informou quais seriam.

O atual contrato de fiscalização de trânsito no município termina no próximo dia 15 de março. Ele chegou a ser foco de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara de Vereadores no ano passado por suspeita de irregularidades na licitação e em seu aditamento. O relatório final da CPI dos Radares — como ficou conhecida — identificou a existência de seis irregularidades no contrato de R$ 24,7 milhões firmado em 2007 entre a Emdec e o Consórcio Campinas Segura — formado pelas empresas Engebrás e Trends. O documento de 35 páginas que pede o cancelamento do acordo foi encaminhado em agosto do ano passado ao Ministério Público (MP) e ainda aguarda análise do órgão, que pode ingressar com uma ação anulatória da licitação.

Problemas
A Emdec acredita que a avaliação e a decisão do TCE sobre o edital devem ser divulgadas até quarta-feira da semana que vem. Porém, será necessário respeitar o prazo de no mínimo oito dias úteis, após nova publicação do edital, para a realização do pregão. O que pode deixar a cidade sem a fiscalização.

O presidente da Emdec e secretário de Transportes, André Aranha Ribeiro, foi procurado pela reportagem para falar sobre o assunto, mas se recusou a dar entrevista. Ele respondeu por e-mail e por meio de sua assessoria de imprensa.

O secretário informou que, caso o atual contrato se encerre antes do pregão, será possível prorrogá-lo por dias, semanas ou meses — até 12 meses, no máximo. E, caso o atual contrato não venha a ser prorrogado, a Emdec adotará medidas que garantam a segurança do sistema viário até que o novo contrato entre em vigor. Mas não explicou como fará isso.

O pregão estava marcado para acontecer no dia 27, às 10h30, na sede da Emdec. Haveria o credenciamento, a entrega e abertura dos envelopes pela Gerência de Licitações e Contratos, mas, na ocasião, os licitantes foram informados sobre a suspensão do pregão, efetuado em lances sucessivos e decrescentes.

Obras: Prefeitura e MP preparam pacote de regras


Revisão de normas pretende pôr fim a embargos em série e insegurança jurídica

28/02/2012 - 21h22 . Atualizada em 29/02/2012 - 06h43
Milene Moreto
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Depois de uma série de embargos em empreendimentos e da insegurança jurídica no setor imobiliário sem precedentes para Campinas, Prefeitura e Ministério Público (MP) vão debater novas regras para o parcelamento do solo e aprovação de empreendimentos, além de medidas de transparências nos setores de Urbanismo e de Planejamento da Administração. O primeiro passo para a construção da nova normativa urbanística para o município será uma audiência pública amanhã com a Promotoria de Urbanismo, no Salão Vermelho, às 9h.

Segundo o secretário de Urbanismo, Luis Yabiku, serão definidas regras, por exemplo, para a aprovação de empreendimentos de projetos que se enquadram no Minha Casa, Minha Vida. O promotor de Meio Ambiente, José Roberto Albejante, foi convidado, mas não confirmou presença até o final da tarde de ontem. Para o encontro, o Executivo também convidou representantes do setor imobiliário da cidade. O debate será aberto ao público.

O secretário de Gestão e Controle, André Laubstein, disse que o encontro também é parte de um seminário para a capacitação de funcionários de vários setores da Administração envolvidos na aprovação de empreendimentos para que não ocorram falhas nos trâmites dos projetos e para que os servidores tenham contato com o que aconselha o MP no que diz respeito à regras urbanísticas.

A tentativa do Executivo é evitar — nesse período de instabilidade política que vive Campinas — o embargo de novos empreendimentos. O Correio mostrou na última semana que mais um empreendimento, desta vez de responsabilidade da HM Engenharia, um braço da construtora Camargo Corrêa, corre o risco de ser congelado caso um plano viário não seja feito pela empresa. Um condomínio com 2 mil unidades habitacionais foi erguido no bairro Parque São Jorge, na divisa com Hortolândia, sobre área onde deveria ser o projeto viário do aterro sanitário Delta B.

Além de funcionários das secretarias de Urbanismo e Planejamento, o encontro deve reunir ainda servidores da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). O debate servirá como uma oficina de capacitação de funcionários públicos que trabalham diretamente na aprovação de empreendimentos na cidade. “Desde o ano passado, a Prefeitura vem se comprometendo com medidas de transparência para evitar problemas na liberação de obras na cidade. Vamos debater em conjunto com o MP quais são as formas eficientes para que o Município tenha regras que não sejam questionadas no âmbito judicial no futuro”, afirmou Yabiku.

Laubstein afirmou que nos próximos meses todos os servidores de secretarias envolvidas na aprovação de projetos vão passar por um seminário de capacitação. O Executivo quer inserir a sociedade civil nessas discussões e também iniciar a revisão das leis urbanísticas. “Essa revisão foi prevista no TAC (termo de ajuste de conduta) assinado entre a Prefeitura e o MP. Nosso compromisso é transformar em lei o que foi feito na forma de decreto.”

Leis
Cerca de seis leis serão criadas pelo Grupo de Estudos da Legislação Urbanística (Gelu), entre elas a do parcelamento do solo. No final de janeiro, o Executivo publicou um decreto se comprometendo a aprovar empreendimentos em quadras que tiverem no máximo 180 metros de extensão e o mínimo de 40 metros de profundidade. Desde 2004, o Município permitia a extensão de 300 metros. Depois dos debates sobre as regras urbanísticas que deverão ser adotadas pela Prefeitura para aprovação de empreendimentos daqui em diante, o Executivo também vai abrir concursos públicos para a contratação de engenheiros, arquitetos e fiscais.

Embargos começaram em maio de 2011

Os embargos de empreendimentos começaram a ocorrer em maio do ano passado, durante a crise política que culminou com a cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). As irregularidades nas aprovações de obras foram apontadas pelo Ministério Público (MP) e geraram uma revisão nos procedimentos.

O MP havia apontado a existência de irregularidades nas aprovações de 25 empreendimentos. Os de interesse social, como o Programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, só podem ser autorizados mediante o pagamento de contrapartida fixada em 3,5% do valor do empreendimento ou esse valor convertido em lotes urbanizados de 126 m2.

O valor ou lotes são recebidos pelo Fundo de Apoio à População de Subabitação Urbana (Fundap), destinado à construção de casas para a retirada de famílias em área de risco e desocupação de área pública, regularização e urbanização de áreas ocupadas e para habitações de famílias com renda inferior a cinco salários mínimos.

De acordo com a Promotoria, o notável crescimento imobiliário observado em Campinas necessariamente deveria provocar aumento de arrecadação do Fundap, proporcionando a criação de novas unidades, o que não ocorreu.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Câmara muda regimento para rever reajuste salarial


Medida é o primeiro passo para a revisão do reajuste de 126%

27/02/2012 - 21h55 . Atualizada em 28/02/2012 - 06h42
Bruna Mozer
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A Câmara de Campinas aprovou ontem projeto de lei que altera o Regimento Interno do Legislativo e permite que o aumento de 126% do salário dos parlamentares, aprovado no final do ano passado, seja revisto. Esse é o primeiro passo para que os vereadores retomem a discussão e proponham um percentual menor.

Anteriormente, o regimento permitia mudança nos salários dos vereadores até o ano que antecede as eleições. Agora, a lei permite a discussão até o dia do pleito.

Discussões entre os vereadores causaram mal-estar durante a sessão. O vereador Ângelo Barreto (PT), que propôs no início do ano o cancelamento do reajuste, sofreu um bombardeio de críticas dos demais parlamentares, que os acusaram de falsidade e de se aproveitar do momento para se promover diante de um tema que causou repercussão negativa na opinião pública. O reajuste vale para a próxima legislatura: 2013-2016.

A ira dos vereadores foi manifestada quando Barreto subiu na tribuna e disse que votaria contra o projeto. Argumentou não concordar com a permissão para alteração no salário em ano de eleição. Essa foi a única solução jurídica encontrada pela Câmara para que o percentual seja revisto.

A partir disso, os vereadores se revoltaram contra o petista, acusando-o de encabeçar uma campanha, nos bastidores do Legislativo, a favor do reajuste dizendo que o salário parlamentar era de “fome”. Barreto teria sido o responsável por convencer vereadores que estariam “em cima do muro” a aprovar os 126%. Na ocasião, ele ocupava o cargo de secretário de Habitação na gestão do prefeito cassado Demétrio Vilagra (PT). Foi acusado pelos vereadores de mostrar seu holerite de secretário — no valor, segundo ele, de R$ 16 mil — em defesa do reajuste. Barreto nega.

Porém, quando voltou ao Legislativo após a cassação de Demétrio, em dezembro, o petista protocolou requerimento pedindo a revogação do reajuste. Por isso, divulgou em bairros da cidade uma carta à população em que diz que começou a “ser mal visto nos corredores da Câmara por não compactuar com a decisão da maioria (de manter o aumento).

Barreto permaneceu sozinho durante as críticas. O líder do PT na Câmara, Jaírson Canário, se manifestou somente no final e confirmou as acusações dos vereadores. Disse que esperava que o colega de partido pedisse desculpas. “O vereador disse que está sendo perseguido. Não tem bons projetos e quer ganhar voto fazendo joguinho duplo”, disparou o vereador Petterson Prado (PMDB).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Piso nacional do magistério de 2012 será R$ 1.451


A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do que o valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais


27/02/2012 - 17h59 . Atualizada em 27/02/2012 - 18h00
Agência Brasil
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O Ministério da Educação (MEC) definiu em R$ 1.451 o valor do piso nacional do magistério para 2012, um aumento de 22,22% em relação a 2011. Conforme determina a lei que criou o piso, o reajuste foi calculado com base no crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no mesmo período.

A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do que o valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais. Questionada na Justiça por governadores, a legislação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos, mas, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Em 2011, o piso foi R$1.187 e em 2010, R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o piso era R$ 950. Alguns governos estaduais e municipais criticam o critério de reajuste e defendem que o valor deveria ser corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), como ocorre com outras carreiras.

Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei que pretende alterar o parâmetro de correção do piso para a variação da inflação. A proposta não prosperou no Senado, mas na Câmara recebeu parecer positivo da Comissão de Finanças e Tributação. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) prepara uma paralisação nacional dos professores para os dias 14,15 e 16 de março com o objetivo de cobrar o cumprimento da Lei do Piso.