Medida é o primeiro passo para a revisão do reajuste de 126%
27/02/2012 - 21h55 . Atualizada em 28/02/2012 - 06h42| Bruna Mozer | |||||||
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A Câmara de Campinas aprovou ontem projeto de lei que altera o Regimento Interno do Legislativo e permite que o aumento de 126% do salário dos parlamentares, aprovado no final do ano passado, seja revisto. Esse é o primeiro passo para que os vereadores retomem a discussão e proponham um percentual menor.
Anteriormente, o regimento permitia mudança nos salários dos vereadores até o ano que antecede as eleições. Agora, a lei permite a discussão até o dia do pleito.
Discussões entre os vereadores causaram mal-estar durante a sessão. O vereador Ângelo Barreto (PT), que propôs no início do ano o cancelamento do reajuste, sofreu um bombardeio de críticas dos demais parlamentares, que os acusaram de falsidade e de se aproveitar do momento para se promover diante de um tema que causou repercussão negativa na opinião pública. O reajuste vale para a próxima legislatura: 2013-2016.
A ira dos vereadores foi manifestada quando Barreto subiu na tribuna e disse que votaria contra o projeto. Argumentou não concordar com a permissão para alteração no salário em ano de eleição. Essa foi a única solução jurídica encontrada pela Câmara para que o percentual seja revisto.
A partir disso, os vereadores se revoltaram contra o petista, acusando-o de encabeçar uma campanha, nos bastidores do Legislativo, a favor do reajuste dizendo que o salário parlamentar era de “fome”. Barreto teria sido o responsável por convencer vereadores que estariam “em cima do muro” a aprovar os 126%. Na ocasião, ele ocupava o cargo de secretário de Habitação na gestão do prefeito cassado Demétrio Vilagra (PT). Foi acusado pelos vereadores de mostrar seu holerite de secretário — no valor, segundo ele, de R$ 16 mil — em defesa do reajuste. Barreto nega.
Porém, quando voltou ao Legislativo após a cassação de Demétrio, em dezembro, o petista protocolou requerimento pedindo a revogação do reajuste. Por isso, divulgou em bairros da cidade uma carta à população em que diz que começou a “ser mal visto nos corredores da Câmara por não compactuar com a decisão da maioria (de manter o aumento).
Barreto permaneceu sozinho durante as críticas. O líder do PT na Câmara, Jaírson Canário, se manifestou somente no final e confirmou as acusações dos vereadores. Disse que esperava que o colega de partido pedisse desculpas. “O vereador disse que está sendo perseguido. Não tem bons projetos e quer ganhar voto fazendo joguinho duplo”, disparou o vereador Petterson Prado (PMDB).
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