outubro 27th, 2011
O administrador Diocesano da Arquidiocese de Campinas, monsenhor João Luiz Fávero, enviou hoje um comunicado em que defende que o dinheiro roubado por políticos devem ser devolvidos aos cofres públicos. “Os processos tramitando na justiça e os acusados continuam a desfrutar dos milhões desviados dos cofres públicos, rindo dos que têm seus impostos devidamente descontados no final do mês. Qual a razão pela qual os acusados não têm seus bens bloqueados até que se julguem os processos? E se condenados, por que não têm seus bens confiscados para pagar o que devem?”, escreveu ele, que substitui o bispo d. Bruno Gamberino, que morreu no mês passado.
O monsenhor disse ainda que a missão da Igreja é pregar o evangelho fazendo a opção pelos pobres. E por isso clama para que os católicos se indignem com os escândalos de corrupção que pululam no Brasil. “Todos temos conhecimento dos incontáveis escândalos de corrupção e desvios de verbas públicas em nosso país. Parece um câncer que teima em se alastrar pela sociedade, exterminando com a dignidade de um povo honesto e trabalhador, que não perde a esperança de resgatar os seus direitos de Filho de Deus, merecedor de, no mínimo, condições básicas para a sobrevivência. Causou-me indignação ao ver a reportagem de capa desta semana da revista Veja, que traz o que poderia ser feito com os 85 bilhões de reais desviados pela corrupção no Brasil. A revista lista algumas alternativas como, por exemplo, a erradicação da pobreza e o custeamento de 34 milhões de diárias de UTI nos melhores hospitais. Parece-me que nós estamos como anestesiados com o que tem acontecido. Tudo parece normal, pois nos acostumamos com a corrupção. Estamos, talvez, à espera de algum “salvador da pátria”, que tenha o poder da honestidade, que não se curve à sutileza de advogados e afins que burlam legalmente a lei, arrastando indefinidamente processos intermináveis. E continuamos esperando…”, escreveu ele.
Enquanto disse, diz ele, “continuamos vendo pessoas sofrendo nas filas dos hospitais, aposentados vendendo balas nos semáforos, merendas escolares perdidas em galpões, professores mal pagos e maltratados, chefes de famílias desempregados e desesperados por verem faltar o básico para suas famílias e tantas outras situações de miséria humana que não sensibilizam pseudo-cidadãos que são muitíssimo bem pagos para criarem condições mais humanas para a população e administrarem o bem comum.”
Monsenhor João Luiz Fávero
Administrador Diocesano da Arquidiocese de Campinas
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