Ex-presidente da Ceasa foi ouvido nesta sexta-feira (25); Ricardo Cândia deverá prestar depoimento na terça (29)
25/11/2011 - 08h50 . Atualizada em 25/11/2011 - 12h33
| Douglas Fonseca | DO PORTAL RAC | ||
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(Foto: Dorinaldo Oliveira/Portal RAC)
A CPI da Corrupção instalada na Câmara de Campinas ouviu nesta sexta-feira (25), o depoimento do ex-presidente da Ceasa, Nivaldo Dóro. A oitiva aconteceu na sala da presidência, a partir das 9h. Nivaldo confirmou que seu cargo foi utilizado como moeda de troca pelo prefeito Demétrio Vilagra (PT) para garantir apoio político na Câmara dos Vereadores e evitar o seu afastamento e impeachment.
Presidida pelo vereador Artur Orsi, a CPI já definiu as duas próximas reuniões. No dia 29, a partir das 14 horas, será ouvido Ricardo Cândia - o ex-diretor de Controle Urbano da Prefeitura.
Depois que ele deixou o serviço público, passou a alugar terrenos para operadoras instalarem antenas de telefonia celular, num indicativo, segundo a Comissão, de que haveria tráfico de influência na secretaria de urbanismo. No dia dois de dezembro, a CPI vai tomar o depoimento do empresário Washington Beneno – sócio de Cândia.
Na última quarta-feira a comissão ouviu a ex-coordenadora de Parcelamento do Solo da Secretaria de Urbanismo, Simone Medeiros. Ela disse que teve conflitos com os ex-secretários Hélio Jarreta (Urbanismo) e Carlos Henrique Pinto (Assuntos Jurídicos) por ser legalista.
Depoimento
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), vereador Artur Orsi (PSDB) abriu os trabalhos nesta manhã e informou a pauta dos questionamentos desta sessão como as irregularidades encontradas na prefeitura vinculadas ao Caso Sanasa assim como a compra de carne de avestruz para merendas e outras denúncias que levaram à instalação da CPI na Câmara dos Vereadores.
Nivaldo Dóro iniciou seu depoimento agradecendo a oportunidade de estar presente à CPI para esclarecer os pontos que são alvos de investigação pela CPI e envolvem as denúncias que envolvem a Ceasa, onde foi presidente desde o dia 28 de maio deste ano, durante seis meses. Dóro disse que assumiu a presidência em um momento turbulento quando o ex-presidente da instituição e então vice-prefeito de Campinas Demétrio Vilagra (PT) se demitiu do cargo em meio a crise política que Campinas enfrentava.
Em suas primeiras declarações, o depoente informou os problemas que a Ceasa enfrenta há alguns anos como a falta de investimentos do município na empresa e ainda assim, pelo seu porte a empresa abastece aproximadamente 500 cidades no Estado de São Paulo.
Antes de dar início às perguntas dos vereadores e integrantes da CPI, Nivaldo Dóro realizou uma explanação sobre todo o histórico da Ceasa como o funcionamento dos trâmites da empresa, funcionários, permissionários e convênios que estão vigentes. Nivaldo Dóro deixou a Ceasa no último dia 17 de novembro quando foi exonerado pelo prefeito Demétrio Vilagra (PT).
Em relação ao nepotismo na administração da Ceasa, Nivaldo Dóro afirmou que nunca sofreu pressão política para contratar algum parente de pessoas que trabalhavam na prefeitura. No entanto, depois que assumiu a presidência, Dóro exonerou de suas funções Fabiana Cândia, esposa de Ricardo Cândia, um dos principais alvos de investigação no Caso Sanasa.
A Ceasa, segundo Dóro, deve aproximadamente R$ 8 milhões para fornecedores de alimentos. Anualmente o orçamento da empresa gera aproximadamente R$ 13 milhões entre taxas administrativas e aluguéis cobrados dos permissionários que são proprietários de boxes na empresa.
O ex presidente da Ceasa informou que este dinheiro proveniente da taxa de condomínio dos permissionários deveria ser utilizado para despesas com a administração da empresa como limpeza e segurança e com o déficit e falta de investimentos por parte da prefeitura este dinheiro estaria sendo utilizado para pagamento das dívidas com os fornecedores o que causou certo constrangimento com os permissionários.
Em relação à compra de carne de avestruz pela Ceasa para utilização em merendas escolares, Artur Orsi informou as diferenças gritantes nos valores em relação à carne bovina. Nivaldo Dóro respondeu que foi feito um levantamento para verificar se houve algum erro no processo licitatório em relação ao fornecedor da carne e nenhuma irrgularidade foi encontrada.
Quanto a compra da carne de avestruz, Nivaldo afirmou que quem decide que tipo de carne vai ser comprada, é um grupo de secretários que será responsável pela escolha do tipo de alimentação que será servida nas escolas. Este grupo é formado por responsáveis das secretarias de assistência, juridica, saúde, educação e o presidente da Ceasa.
Arur Orsi voltou ao assunto do nepotismo e Nivaldo Dóro informou que a única pessoa que tem poder para contratar e exonerar algum funcionário da Ceasa é o presidente da empresa, no caso o atual prefeito Demétrio Vilagra (PT). Ao todo existem na Ceasa 12 cargos de comissão, funções estas ligadas diretamente á administração da empresa, dentre estas 12 vagas, 2 eram ocupadas por parentes de Ricardo Cândia e outras 2 por parentes de secretários municipais.
Nivaldo Dóro afirmou que um vereador da Câmara (Filiado ao PMDB) indicou uma pessoa para ser diretor financeiro, nesta ocasião Dóro solicitou o currículo do indicado e o vereador não voltou a procurá-lo. Dóro não quis identificar o vereador mas afirmou que não foi um vereador do Partido dos Trabalhadores.
Em relação à sua exoneração do cargo de presidente da Ceasa, Nivaldo Dóro informou que foi notificado que estavam 'pedindo a sua cabeça' em uma reunião de secretariado com o prefeito Demétrio Vilagra. Nesta ocasião Dóro soube que o presidente do PMDB, Arnaldo Salvetti e o secretário Tiãozinho (PT) foram os autores do pedido de sua exoneração.
Nesta mesma reunião Dóro foi conversar com Tiãozinho com para saber o motivo do pedido de sua exoneração, o secretário iniciou uma discussão onde afirmou que não lhe devia nenhuma satisfação e mandou perguntar ao prefeito, que o prefeito esteve na residência do vereador Sebastião dos Santos e que lá outros vereadores negociaram o cargo de presidente da Ceasa.
Após esta discussão, Nivaldo foi chamado ao gabinete do prefeito onde estavam presentes Miguel Valente, vereador Ângelo Barreto (PT), Nilson Lucílio, Tiãozinho (PT) e o próprio prefeito Demétrio Vilagra (PT). Nesta nova reunião, Demétrio informou que o retiraria do cargo de presidente da Ceasa para ter uma base de apoio na Câmara dos Vereadores para evitar um afastamento ou possível impeachment de Demétrio.
Nivaldo Dóro foi considerado como moeda de troca entre os partidos para a manutenção de Demétrio Vilagra no cargo de chefe do Executivo e se disse lisonjeado quando Demétrio afirmou que o vice presidente da República, Michel Temer (PMDB) havia ligado diretamente para o prefeito e pedido a exoneração de Nivaldo Dóro do cargo de presidente da Ceasa.
Sobre uma possível justificativa por parte da defesa de Demétrio Vilagra afirmar que Nivaldo Dóro foi à CPI para se vingar após sua exoneração, Nivaldo afirmou que não tem nenhuma intenção de se vingar pois sempre soube que o cargo de presidente da Ceasa seria destituído a qualquer momento. 'Eu fui presidente interino da Ceasa, sempre soube que cedou ou tarde sairia para dar meu cargo a alguém que o prefeito definisse. Aqui nesta comissão não criei nenhum fato, as testemunhas estão aí e podem comprovar a minha versão dosfatos' disse.
Nivaldo afirmou que ficou magoa apenas com o fato de seu nome ter sido envolvido neste caso e o colocou contra o próprio partido. 'O que me magou de fato foi que meu partido foi colocado contra mim em um grupo de churrasquinho que após este churrasquinho não sei o que vem' afirmou.
Nivaldo Dóro encerrou seu depoimento aos vereadores da CPI dizendo que no último diz 17 de novembro foi chamado novamente ao gabinete do prefeito e a versão foi reforçada quando o prefeito lhe disse que não podia esperar e precisava do apoio dos vereadores da Câmara e seu cargo era necessário para conseguir este apoio.
Segundo Dóro o prefeito Demétrio Vilagra ainda prometeu que quando voltasse de seu afastamento o chamaria para ter um cargo administrativo na prefeitura. Nivaldo afirmou que repetiria todas as suas declarações caso fosse necessário e encerrou seu depoimento à Comissão que investiga os trâmites da corrupção em Campinas.
O vereador Artur Orsi declarou em entrevista após a conclusão dos trabalahos da CPI nesta manhã que o objetivo desta convocação foi cumprido. 'O depoimento de Nivaldo nos ajudou muito, fomos informados que de 12 cargos de comissão na Ceasa, 4 eram utilizados por parentes de funcionários da prefeitura. Em geral o depoente foi contundente e esclarecedor para novas investigações' disse Orsi.

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