Um experimento inédito com um tipo especial de célula, chamada de célula-tronco mesenquimal (MSC, sigla em inglês de mesenchymal stem cell), com o objetivo de reduzir danos pulmonares em pacientes que sofrem com a anemia falciforme, tem sido testado nos laboratórios do Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os testes, que consistem em injetar a célula-tronco em um tipo especial de camundongo doente para verificar o seu potencial de tratamento da inflamação na doença falciforme, têm recebido a colaboração do diretor do programa de pediatria de célula falciforme do Centro Médico da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, Lewis Hsu, que deve ficar nos laboratórios da universidade campineira por duas semanas para as primeiras experiências.
Hsu, que há mais de 20 anos pesquisa a anemia falciforme, informou que o tempo em que ficará em solo brasileiro não será suficiente para a obtenção final dos resultados. No entanto, ele adianta que o seu intercâmbio com a Unicamp é de longo prazo. “Pretendo voltar para Campinas uma ou duas vezes por ano. Quero aprender sobre ciência e atendimento clínico”.
Com o experimento, a esperança do especialista é pesquisar novos tratamentos para combater as dores severas que os portadores da doença sentem. Aliás, foi por compaixão a essas pessoas que o médico resolveu dedicar sua carreira. “Eu decidi me envolver com a anemia falciforme por dois motivos: intelectualmente, porque é instigante a pesquisa e por compaixão às pessoas, especialmente crianças, que sentem dores extremas em razão da doença”, comentou. Hsu explica que quando questiona os seus pacientes sobre uma escala de dor de zero a dez, a resposta é sempre a mesma: “dez”. É em razão deste perfil severo da doença – com nuances complicados de serem combatidos – que novos tratamentos para inibir as dores são pesquisados, na explicação de Hsu.
A anemia falciforme é uma doença hereditária que causa a malformação das hemácias, que assumem uma forma semelhante a foices – de onde vem o nome da doença – com maior ou menor severidade de acordo com o caso, o que provoca deficiência do transporte de oxigênio nas pessoas acometidos pela doença. A presença da anemia falciforme é determinada por uma quantidade elevada de hemácias deformadas. Em indivíduos normais, as células de transporte de gases têm forma arredondada côncava e flexível. Essa constituição permite que essas células consigam executar sua função mesmo através dos mais finos capilares sanguíneos.
Leia mais na edição impressa do Correio Popular deste domingo
Nenhum comentário:
Postar um comentário