quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Família reconhece corpo de mulher encontrado no Rio Capivari

Bombeiros encontraram suposta vítima de estupro durante buscas pelo menino levado pela enxurrada

05/01/2012 - 12:29

Da redação

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Atualizada às 17h20

O corpo da mulher encontrada morta no Rio Capivari pelos bombeiros, durante as buscas pelo menino de 5 anos levado pela enxurrada no Jardim Santo Antônio, foi reconhecido por familiares na manhã desta quinta-feira (5). Samia Alves Ferreira, de 41 anos, estava desaparecida desde o dia 31 de dezembro e teria sido vítima da escalada de estupros na região do Campo Grande, segundo o ex-marido Sebastião Geovani da Silva.

A vítima foi levada para o IML (Instituto Médico Legal) de Campinas para passar por exames que vão identificar a causa da morte e se ela realmente foi estuprada. Silva está desde às 5h da manhã aguardando a chegada de um médico legista para a necrópsia. O ex-marido afirmou que espera a liberação do corpo para providenciar o enterro.

Samia deixa três filhos, dois rapazes de 22 e 20 anos, e uma menina de 15 anos. Os moderadores da região afirmam que ela é uma das três mulheres que foram violentadas nas últimas duas semanas. “Minha vizinha está desaparecida desde sexta-feira quando ela saiu por volta das 3h30 para comprar cigarro. Outra vizinha também foi violentada ontem quando voltava do trabalho. Ela ficou com o rosto muito machucado, mas conseguiu fugir”, afirma uma moradora que preferiu não se identificar e participou do protesto.

Para Silva há um descaso das autoridades e da polícia. "A polícia não tem conhecimento dos estupros e nem faz nada, é uma vergonha" afirma indignado.

Protesto
Indignados com a violência na região os moradores organizaram, na tarde desta quarta-feira (4),um protesto na Avenida John Boyd Dunlop, na altura do Jardim Rossin. Por duas vezes, ao meio-dia e no final da tarde, a principal via de acesso ao Campo Grande foi interditada. Em tom de inconformidade, os moradores em sobressaltos cobravam das autoridades uma solução sobre a violência daquela região. No último mês, como apontam os manifestantes, o lugar foi palco de cinco casos de estupro. O último deles se deu na madrugada desta quarta (4).

Veja galeria de fotos da manifestação da tarde de quarta (4)

Durante o protesto da tarde, dezenas de pessoas auxiliaram no fechamento da avenida. Os que não participaram do bloqueio humano, estendendo faixas e cartazes com frases impactantes: "Assim não dá. Queremos Justiça, já", "Chega de criminalidade. Queremos justiça" e "Meu nome é revolta!", aguçavam o lado curioso para visitar o local onde se deu o último crime. De dez em dez minutos, acompanhados pela Polícia Militar e agentes da Emdec, a paralisação era feita.

Quando a reportagem do EPCampinas chegou ao local, a capitã Elaine Mota da Polícia Militar (PM) estava a poucos metros de o "buraco", como apelidaram os moradores, onde os estupros aconteceram. De acordo com a capitã, apesar do número de estupros apresentados pelos moradores, chegaram à Polícia Civil apenas dois casos para a investigação. Sobre o local, a capitã explicou: "em razões do matagal, condições de acesso e falta iluminação, o lugar se torna um ponto que favorece o delito". As próximas ações da PM, pontua a capitã, serão as de intensificar o policiamento na área (não divulga quantas viaturas estarão disponíveis) e encontros com a comunidade para recomendações de segurança.

Em compensação, na avaliação de Santos, apenas o ato de intensificar o policiamento não basta. As ações devem ser maiores. Por isso, além da polícia, cobram o poder público. "Há a necessidade ainda que se faça uma limpeza na área, porque o mato é alto, melhore a iluminação e feche esta entrada para debaixo da ponte. Muitos moradores de ruas acabam dormindo lá", lembra Santos. A capitã da PM ainda se recorda de outra medida: o aumento de ônibus na região. "Segundo o depoimento da última vítima, ela só foi a pé para casa por causa da demora no ponto de ônibus das proximidades. Foi lá que ela encontrou o estuprador", explica Elaine Mota.

Em nota enviada na manhã desta quinta-feira (5), a Emdec informou que as principais linhas de ônibus que atendem aos bairros citados são as 2.21 – Satélite Íris IV, 2.22 – Jardim Florence I e Jardim Florence II. De acordo com a empresa, a linha 2.21 possui 8 veículos vinculados à frota. Nos horários de pico, o intervalo médio de circulação é a cada 11 minutos; no entrepico, esse intervalo é de 18 minutos; e à noite, o intervalo de circulação entre cada veículo é de 30 minutos. Já a linha 2.22 possui o mesmo número de veículos (8); e os mesmos intervalos médios de circulação (11 minutos; 18 minutos; e 30 minutos). A linha 2.29 possui ainda 15 veículos na frota; e intervalos médios de circulação de 7 minutos (pico), 11 minutos (entrepico) e 15 minutos (noite).

A Emdec também orientou que os moradores podem consultar os horários das partidas dos ônibus e dos pontos finais pelo site (www.emdec.com.br), na seção “Horários e itinerários de ônibus” (canto superior direito da tela), ou pelo telefone (19) 3772-1517. Por esses canais, segundo a empresa, fica mais fácil para o morador se programar e evitar esperas no ponto de ônibus.

Sobre o aumento da frota de veículos que atende as linhas de ônibus da região, a Emdec esclarece que há um grande projeto viário para a região, que prevê a construção de um corredor de ônibus exclusivo (Corredor Campo Grande), com 17,4 km de extensão. "Esse corredor irá agilizar e otimizar a ligação entre a região e a área central do município. As viagens ficarão mais rápida; e os intervalos entre os ônibus mais curtos. Pelo projeto, as linhas alimentadoras (que atendem os bairros) chegarão até a Avenida John Boyd Dunlop. E pela Avenida John Boyd Dunlop seguirão as linhas tronco (que seguem direto para o Centro). A implementação do corredor aguarda recurso do Programa de Aceleração do Crescimento - Mobilidade Urbana (PAC 2), do Governo Federal', consta na nota.

Em relação ao fechamento da entrada para debaixo da ponte reivindicado pelos moradores, a Emdec alega que o acesso em questão não é um acesso viário, e sim uma via sem asfalto na qual circulam veículos, e que não tem nenhuma gestão sobre esse caminho de terra.

Prefeitura
Sobre a reclamação dos moradores dos bairros Jardim Jardim Florence 1 e 2, Monte Alto e Jardim Rossini, na região do Campo Grande, a Secretaria de Serviços Públicos informou que em relação a iluminação, a prefeitura informou que um estudo da área ja está sendo feito pelo Departamento de Iluminação Pública e após concluído será apresentado a CPFL, ainda neste mês de janeiro. A admnistração aguarda a conclusão desse mapeamento e uma avaliação por parte da CPFL para definir o que será feito no local.

O problema com a falta de manutenção do mato nesta região, a Administração Regional 13 informou que uma ação de limpeza será feita a partir da semana que vem nas áreas públicas, inclusive no córrego que corta os bairros Jardim Rossini e os jardins Florence I e II. No Jardim Monte Alto, os terrenos com mato alto são áreas particulares e a responsabilidade da limpeza é por parte dos proprietários, segundo a prefeitura, que informa ser responsável apenas pela fiscalização desses terrenos e notificação dos proprietários.

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