Passageiras do Campo Grande fazem abaixo-assinado pedindo à Prefeitura criação de transporte exclusivo
20/04/2012 - 07h21 . Atualizada em 20/04/2012 - 07h24
| Maria Teresa Costa | DA AGÊNCIA ANHANGUERA | ||
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Neusa Concetta, coordenadora do movimento para o Expresso Mulher: “As mulheres estão cansadas de serem molestadas dentro dos ônibus”
(Foto: Érica Dezonne/AAN)
(Foto: Érica Dezonne/AAN)
Cansadas do assédio sexual dentro do transporte coletivo e dos constrangimentos a que são submetidas, mulheres da região do Campo Grande iniciaram uma coleta de assinaturas para levar ao prefeito Pedro Serafim (PDT) exigindo que a linha entre o Campo Grande e Terminal Central tenha ônibus exclusivos para o sexo feminino. O Expresso Mulher, como está sendo chamado o movimento, já coletou cerca de 800 assinaturas na região. “As mulheres estão cansadas de serem molestadas dentro dos ônibus”, afirmou a comerciante Neusa Concetta, que coordena o movimento.
A proposta é que, nos horários de pico, onde os ônibus circulam lotados, haja veículos exclusivos para mulheres, com cor diferenciada. “Não sabemos quantos seriam necessários e por isso vamos pedir à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) que faça um estudo sobre isso”, afirmou Luiz Almeida, o Paturi, que está ajudando na coleta das assinaturas.
Linhas exclusivas para mulheres existem em vários locais. Na Malásia, país de maioria muçulmana, por exemplo, têm ônibus exclusivo desde o ano passado. A medida veio depois do lançamento de vagões rosas nos trens, também exclusivos para elas, para dar às mulheres muçulmanas a opção de não andar com homens no sistema de transporte do país.
No México também tem ônibus só para mulheres. Lá, o programa “Viajaremos Seguras” do governo e do Instituto das Mulheres, conseguiu índice zero de abusos contra as mulheres no transporte público. Na Cidade do México, cem ônibus pintados de rosa circulam por 25 rotas pela cidade.
No Rio de Janeiro, desde 2006, uma lei obriga empresas concessionárias do sistema ferroviário e metroviário a destinarem vagões exclusivos para uso apenas da população feminina em horários de pico. Os vagões pintados de rosa são restritos às mulheres entre as 6h e 9h e, entre 17h e 20h, nos dias comerciais. Uma emenda à lei está tramitando na Assembleia Legislativa do Rio para que os vagões exclusivos estejam disponíveis às mulheres durante todo o tempo.
“O movimento tem o apoio das entidades de bairro. Não é mais possível que as mulheres tenham que passar por constrangimentos no transporte coletivo”, disse o vice-presidente da Associação de Moradores do Parque Floresta, Mauro Lourenço dos Santos.
“É difícil você encontrar uma mulher que nunca tenha passado por constrangimentos dentro de um ônibus”, disse a operadora de caixa Silvania Rosa, que já foi assediada. “Os homens vem se encostando, se esfregando e você tem vontade de bater e ao mesmo tempo fica sem saber o que fazer. Eu xinguei, ele disfarçou como se não fosse com ele. Até minha mãe, que é idosa, já passou por isso”, afirmou.
Há mulheres que quando entram em um ônibus levam alfinetes para espetar o primeiro que se encostar. “Sempre estou com alfinete na mão. Encostou, levou”, disse Joana Meridi. Pelo menos 60% dos usuários de ônibus na região do Campo Grande são mulheres, segundo a organizadora do abaixo-assinado. “Se a Prefeitura não determinar que as concessionárias tenham ônibus exclusivo para mulheres, nós vamos até os vereadores, para tornar essa exigência uma lei”, disse Neusa Concetta.
A dona de casa Sônia Maria Carmelos Peya disse que nunca passou por constrangimentos, mas viu muitas mulheres sendo molestadas nos ônibus. Ela assinou a reivindicação porque acha a proposta válida e uma saída interessante para reduzir os abusos. A doméstica Maria José da Silva Pereira já foi vítima de assédio. “Dá vontade de gritar, de bater. A raiva é grande. Outro dia, um homem tirou a camisa para fora da calça, abriu o zíper e começou a se encostar nas mulheres. Todo mundo xingou e ele foi para a frente passando a mão”, contou.
Emdec vai analisar viabilidade da proposta
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) vai estudar a viabilidade de ter ônibus exclusivo para mulheres, informou a assessoria da empresa. Assim que receber o abaixo-assinado, vai avaliar se a proposta é viável e se será possível, no contrato de concessão, inserir uma cláusula definindo a obrigatoriedade. O proprietário da Itajaí, a empresa que faz a ligação Campo Grande ao Terminal Central, Joubert Beluomini, disse que a criação de uma linha exclusiva depende da Emdec.
“Não sei se será viável. Temos 90 partidas de ônibus para o Centro das 6h às 9h. Se falarmos que determinada linha será apenas para mulheres, haverá reclamação quando o motorista não parar em um ponto para um homem entrar. Isso terá que ser bem analisado”, avaliou. A Itajaí vai colocar os primeiros 15 BRTs até o final de maio para circular entre o Terminal Campo Grande e o Centro. O BRT é um ônibus articulado, com capacidade para 145 passageiros e uma das propostas dos organizadores do movimento é que pelo menos um deles seja pintado de rosa, para atender exclusivamente as mulheres.
A proposta é que, nos horários de pico, onde os ônibus circulam lotados, haja veículos exclusivos para mulheres, com cor diferenciada. “Não sabemos quantos seriam necessários e por isso vamos pedir à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) que faça um estudo sobre isso”, afirmou Luiz Almeida, o Paturi, que está ajudando na coleta das assinaturas.
Linhas exclusivas para mulheres existem em vários locais. Na Malásia, país de maioria muçulmana, por exemplo, têm ônibus exclusivo desde o ano passado. A medida veio depois do lançamento de vagões rosas nos trens, também exclusivos para elas, para dar às mulheres muçulmanas a opção de não andar com homens no sistema de transporte do país.
No México também tem ônibus só para mulheres. Lá, o programa “Viajaremos Seguras” do governo e do Instituto das Mulheres, conseguiu índice zero de abusos contra as mulheres no transporte público. Na Cidade do México, cem ônibus pintados de rosa circulam por 25 rotas pela cidade.
No Rio de Janeiro, desde 2006, uma lei obriga empresas concessionárias do sistema ferroviário e metroviário a destinarem vagões exclusivos para uso apenas da população feminina em horários de pico. Os vagões pintados de rosa são restritos às mulheres entre as 6h e 9h e, entre 17h e 20h, nos dias comerciais. Uma emenda à lei está tramitando na Assembleia Legislativa do Rio para que os vagões exclusivos estejam disponíveis às mulheres durante todo o tempo.
“O movimento tem o apoio das entidades de bairro. Não é mais possível que as mulheres tenham que passar por constrangimentos no transporte coletivo”, disse o vice-presidente da Associação de Moradores do Parque Floresta, Mauro Lourenço dos Santos.
“É difícil você encontrar uma mulher que nunca tenha passado por constrangimentos dentro de um ônibus”, disse a operadora de caixa Silvania Rosa, que já foi assediada. “Os homens vem se encostando, se esfregando e você tem vontade de bater e ao mesmo tempo fica sem saber o que fazer. Eu xinguei, ele disfarçou como se não fosse com ele. Até minha mãe, que é idosa, já passou por isso”, afirmou.
Há mulheres que quando entram em um ônibus levam alfinetes para espetar o primeiro que se encostar. “Sempre estou com alfinete na mão. Encostou, levou”, disse Joana Meridi. Pelo menos 60% dos usuários de ônibus na região do Campo Grande são mulheres, segundo a organizadora do abaixo-assinado. “Se a Prefeitura não determinar que as concessionárias tenham ônibus exclusivo para mulheres, nós vamos até os vereadores, para tornar essa exigência uma lei”, disse Neusa Concetta.
A dona de casa Sônia Maria Carmelos Peya disse que nunca passou por constrangimentos, mas viu muitas mulheres sendo molestadas nos ônibus. Ela assinou a reivindicação porque acha a proposta válida e uma saída interessante para reduzir os abusos. A doméstica Maria José da Silva Pereira já foi vítima de assédio. “Dá vontade de gritar, de bater. A raiva é grande. Outro dia, um homem tirou a camisa para fora da calça, abriu o zíper e começou a se encostar nas mulheres. Todo mundo xingou e ele foi para a frente passando a mão”, contou.
Emdec vai analisar viabilidade da proposta
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) vai estudar a viabilidade de ter ônibus exclusivo para mulheres, informou a assessoria da empresa. Assim que receber o abaixo-assinado, vai avaliar se a proposta é viável e se será possível, no contrato de concessão, inserir uma cláusula definindo a obrigatoriedade. O proprietário da Itajaí, a empresa que faz a ligação Campo Grande ao Terminal Central, Joubert Beluomini, disse que a criação de uma linha exclusiva depende da Emdec.
“Não sei se será viável. Temos 90 partidas de ônibus para o Centro das 6h às 9h. Se falarmos que determinada linha será apenas para mulheres, haverá reclamação quando o motorista não parar em um ponto para um homem entrar. Isso terá que ser bem analisado”, avaliou. A Itajaí vai colocar os primeiros 15 BRTs até o final de maio para circular entre o Terminal Campo Grande e o Centro. O BRT é um ônibus articulado, com capacidade para 145 passageiros e uma das propostas dos organizadores do movimento é que pelo menos um deles seja pintado de rosa, para atender exclusivamente as mulheres.

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