terça-feira, 3 de abril de 2012

Populares encenam a Paixão de Cristo no Jd. Vista Alegre

Artistas amadores emocionam milhares com a história do calvário de Jesus


02/04/2012 - 21h39 . Atualizada em 02/04/2012 - 21h49
Cecília Polycarpo AGÊNCIA ANHANGUERA DE NOTÍCIAS
Compartilhar21

O designar gráfico Alexandre Magalhães interpreta Jesus: cabelo e barbas são preservados para dar mais veracidade ao personagem
(Foto: Edu Fortes/AAN)

Eles são profissionais comuns: recepcionistas, contadores, professores, designers, etc. Mas, há 10 anos, 140 moradores do Jardim Vista Alegre, na região do Ouro Verde, em Campinas, se transformam em atores na Sexta-Feira Santa para encenar a Paixão de Cristo.

Apesar de não terem estudado artes cênicas ou não fazerem parte de uma trupe de teatro, os artistas amadores deixam de lado a timidez para emocionar milhares de pessoas com a história do calvário de Jesus.

O espetáculo gratuito, que começou pequeno, apresentado para uma centena de pessoas no pátio da Paróquia Santa Inês, tomou proporções de superprodução. As cenas são apresentadas em dois palcos de 18 metros quadrados e um de 12 metros quadrados, onde é encenada a crucificação.

Ao todo, são 150 peças de roupas, sem contar os quilos de bijuterias e maquiagem. No ano passado, a peça foi assistida por 10 mil pessoas no Campo do Corinthinha. Em 2012, a diretora e idealizadora da apresentação, a técnica em contabilidade Alessandra Maria Cardoso Magalhães, de 36 anos, espera pelo menos 12 mil espectadores.

“Crescemos muito nestes dez anos. Tanto na atuação como na produção do espetáculo. Figurino, cenário, iluminação, todos estes elementos estão mais sofisticados e profissionais. Trabalhamos mais também na interpretação. A cada apresentação procuramos dar mais emoção às cenas”, afirmou Alessandra.

Os ensaios, de acordo com a técnica em contabilidade, começam na segunda semana de janeiro e ocorrem sempre aos domingos, na Paróquia Santa Inês. “Repassamos mais as cenas inéditas e ensaiamos com atores novos. A rotatividade dos atores nestes dez anos foi grande, mas temos umas 40 pessoas que estão conosco desde o início”, explicou.

O custo da produção é bancado através de bailes e pizzadas promovidos pelos atores.Comerciantes locais também patrocinam a produção que, de acordo com a diretora, é esperada com ansiedade pela população do Ouro Verde. “O campo de futebol fica um mar de gente. E eles se emocionam muito durante a peça. Choram e no final querem abraçar os atores. É uma das coisas mais gratificantes da minha vida”, disse.

Para o espetáculo deste ano, Alessandra preparou algumas surpresas e montou uma nova cena envolvendo os personagens Maria e Judas Escariotes. “Mas não posso dizer mais que isso para não estragar a surpresa”, afirmou.

O personagem principal da história sempre foi interpretado pelo marido de Alessandra, o designer gráfico Alexandre Magalhães. Para reviver os últimos dias de Jesus Cristo, Magalhães tem alguns rituais. A barba, ele não faz desde o Carnaval. Já o cabelo, o designer afirmou que não apara desde junho do ano passado. “Faço isso para ficar mais real. Levamos o espetáculo muito a sério. É algo que nos une bastante. Fazemos pela nossa fé e pelo amor que temos por Jesus. Uma forma de evangelizar a população”, disse Magalhães.

Entre suas cenas preferidas da peça, estão a da multiplicação dos pães e a do suicídio de Judas. “É um quadro que eu nem participo, mas a cena é linda, muito forte e bem feita”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário