CAMPINAS
O projeto já tem parecer favorável da Comissão de Constituição e Legalidade. De acordo com a proposta de Prado, as empresas de transporte público ficarão obrigadas a destinar, nas linhas que ligam os terminais de ônibus urbanos ao Terminal Central, veículos destinados apenas às mulheres em horários diversos entre as 6h e 9h e entre as 17h e 20h. Esses veículos deverão ser identificados.
O ex-vereador justificou o projeto como sendo “uma garantia às mulheres do direito de utilizar o sistema de transporte coletivo sem serem criminalmente assediadas por homens desrespeitosos”.
Ele diz que, infelizmente, é comum a ocorrência de assédio sexual sofrido por mulheres nos ônibus da cidade e que o Município tem a obrigação de coibir tal prática. Prado diz ainda que as mulheres vítimas de assédio dentro dos ônibus criaram o movimento denominado “Expresso Mulher”, que reuniu 1,5 mil assinaturas para pedir os ônibus exclusivos.
MULHERES QUEREM ÔNIBUS EXCLUSIVOS EM CAMPINAS PARA REDUZIR VIOLÊNCIA
Ônibus exclusivo para mulheres será votado
Projeto incluído na pauta desta segunda-feira prevê "Expresso mulher"
em horários de pico
03/02/2013 - 22h49 | Vilma Gasques
O projeto já tem parecer favorável da Comissão de Constituição e Legalidade. De acordo com a proposta de Prado, as empresas de transporte público ficarão obrigadas a destinar, nas linhas que ligam os terminais de ônibus urbanos ao Terminal Central, veículos destinados apenas às mulheres em horários diversos entre as 6h e 9h e entre as 17h e 20h. Esses veículos deverão ser identificados.
O ex-vereador justificou o projeto como sendo “uma garantia às mulheres do direito de utilizar o sistema de transporte coletivo sem serem criminalmente assediadas por homens desrespeitosos”.
Ele diz que, infelizmente, é comum a ocorrência de assédio sexual sofrido por mulheres nos ônibus da cidade e que o Município tem a obrigação de coibir tal prática. Prado diz ainda que as mulheres vítimas de assédio dentro dos ônibus criaram o movimento denominado “Expresso Mulher”, que reuniu 1,5 mil assinaturas para pedir os ônibus exclusivos.

Projeto foi feito após reclamações de assédio no transporte público.
Abaixo-assinado conseguiu a adesão de 4 mil assinaturas.
Um movimento organizado na região do Campo Grande, em Campinas (SP) quer reservar ônibus exclusivos para as mulheres durante os horários de pico na cidade. Idealizado pela comerciante Neusa Concetta, a iniciativa pretende reduzir os casos de assédio sexual nos veículos do transporte público.
Segundo a comerciante, a ideia do projeto, batizado de "Expresso Mulher", surgiu após as reclamações constantes de passageiras que desembarcavam no Terminal Campo Grande. "Elas passam por aqui revoltadas com a situação à que são submetidas nos ônibus", explica lembra Neusa, que é dona de um mercado próximo ao terminal. O abaixo-assinado, iniciado no dia 2 de abril, já teve a adesão de mil pessoas.
A iniciativa propõe a instalação de um veículo, com identificação diferenciada, no trajeto que liga o Terminal Campo Grande ao Terminal Central. A doméstica Heleonora Prado, passageira da linha 2.12, que faz o percurso, aprova o projeto. "Estou cansada de homens que se aproveitam de mim. Passo o dia todo trabalhando e no fim do dia ainda aguento essa humilhação", lamenta.
A experiência da dona de casa Vânia Barroso é ainda mais crítica. "Um homem já chegou a ficar quase sem roupas perto de mim. Comecei a gritar e ele desceu em seguida", relata.
A revolta das passageiras, porém, geralmente passa despercebida. "Elas sentem que não tem com quem reclamar", explica a idealizadora do projeto. Outras passageiras reclamam da falta de tempo. "Eu trabalho o dia todo, se tiver que ir para a delegacia todas as vezes que se aproveitarem de mim, eu não vivo", afirma Heleonora.
A proposta, no entanto, não foi recebida de forma positiva pelos homens. "Tem que deixar a mulherada aí. A gente só gosta de olhar", rebateu o metalúrgico José Augusto Ferreira. Apesar disso, a organizadora Neusa Concetta afirma que boa parte das assinaturas são de homens. "Geralmente eles têm experiências de abuso com filhas ou esposas", explica. O auxiliar administrativo, James Amaral,também passageiro da linha 2.12, é um dos que apoia a iniciativa. "Elas não têm que sofrer com o machismo dos outros", disse. A opinião foi recebida com deboche por alguns passageiros.
Caso seja aprovado para apenas um veículo da linha, o tempo de espera para o ônibus exclusivo para mulheres seria de 1h40. A demora pode ser um fator de recusa da utilização do veículo. "Não tenho condições de chegar atrasada no trabalho. Se fosse o caso, eu teria que abrir mão do ônibus especial", lamenta a doméstica Heleonora Prado.
A seperação entre homens e mulheres no transporte público não é inédita no país. No Rio de Janeiro, vigora uma lei desde 2006 que garante exclusividade às mulheres em um dos vagões de metrô da cidade durante a semana em horários de pico.
Os detalhes do projeto e a lista com as assinaturas do "Expresso Mulher" devem ser apresentados ao secretário municipal de Transportes, André Aranha Ribeiro, no dia 7 de maio. Segundo a assessoria da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), a viabilidade do projeto só poderá ser avaliada após a entrega do abaixo-assinado.
Fonte: G1
Mulheres de Campinas querem ônibus exclusivo para frear abuso sexual
Bruno Teixeira
Cerca de mil pessoas já assinaram a proposta da comerciante Neusa Concetta. Iniciado no último dia 2 abril, o abaixo-assinado recomenda ao secretário de transportes de Campinas, André Aranha Ribeiro, a criação de uma linha de ônibus exclusiva às mulheres na região do Campo Grande. O expresso mulher foi criado com o intuito de reduzir os casos de assédio sexual nos veículos do transporte público da cidade.
O Campo Grande está localizado na zona Noroeste da cidade. Por não ser uma denominação oficial do município é difícil estabelecer quantos bairros fazem parte do setor, ou mesmo diferenciar o que é Campo Grande e o que é Itajaí, outra concentração de bairros da zona Noroeste. O que é fato, estabelecido pelo IBGE no senso populacional de 2010, é que a concentração de moradores nessa área é a segunda maior de Campinas, atrás apenas do Centro. O transporte público é um tópico à parte na vida dos moradores. “Pego seis ônibus por dia para poder trabalhar”, conta a doméstica Maria Helena Gouvêa. Atualmente 100 veículos atendem a região.
Quem desembarca no terminal Campo Grande, localizado na rua dr. Nelson d’Ottaviano logo vê o supermercado São João, gerenciado pela comerciante Neusa Concetta. “As mulheres passam aqui na loja e reclamam das situações que são submetida nos ônibus”, conta a comerciante. “Isso me motivou a criar o Expresso Mulher”. A ideia do projeto não requer grandes mudanças estruturais. Um dos veículos que fazem a ligação entre o terminal e a região central da cidade deixaria de ter a característica cor vermelha e assumiria uma roupagem rosa. O carro sairia durante os horários de pico e suas passageiras seriam exclusivamente do sexo feminino. Segundo a idealizadora, o projeto fez sucesso. “Elas parecem muito felizes, contam que apoiam muito o projeto”. É o caso da doméstica Heleonora Prado que relata já ter passado por uma experiência de abuso em um ônibus. “Um rapaz ficou quase pelado perto de mim. Eu tive que começar a gritar para expulsarem ele”, lembra.
Outras Experiências
A exclusividade de sexo no transporte público não é novidade. Uma lei de 2006 garante a existência de vagões exclusivos para mulheres no metrô da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, não existe um balanço sobre os casos de violência. A justificava da SSP foi o número considerado “inexpressivo” de denúncias em casos como esse. Neusa Concetta reitera essa omissão de denúncias. “As mulheres ficam revoltadas mas sentem que não tem com quem reclamar”, explica. A doméstica Heleonora Prado justifica. “Eu mal tenho tempo para ficar com a família, se for reclamar toda vez que fazem algo comigo, eu não vivo.”
A Delegacia da Mulher de Campinas foi procurada pelo Digitais, mas até o momento da publicação dessa reportagem não havia se pronunciado.
A Delegacia da Mulher de Campinas foi procurada pelo Digitais, mas até o momento da publicação dessa reportagem não havia se pronunciado.
No México, o resultado é positivo. Criado em 2008, o programa “Viajaremos Seguras” gerou reduções drásticas no índice de violência contra a mulher no transporte público. Em 2007, eram de em média 2,9 mil por ano. Segundo a prefeitura da Cidade do México, na última medição realizada, em 2010, o índice caiu para zero.
Obstáculos
Para ser aprovado, o projeto vai ter que passar por alguns obstáculos no caminho. O projeto de instalação dos chamados BRT’s, novo modelo de ônibus que deve ser instalado até Julho, já está em execução e precisaria ser reavaliado para eventuais mudanças.
Caso o projeto seja aprovado para apenas um veículo da linha 2.12 (que faz o trajeto entre o Campo Grande e o Centro), a espera passaria de 1h30 para o veículo exclusivo (Veja infográfico).
Caso o projeto seja aprovado para apenas um veículo da linha 2.12 (que faz o trajeto entre o Campo Grande e o Centro), a espera passaria de 1h30 para o veículo exclusivo (Veja infográfico).
As propostas vão ser apresentadas à Secretaria de Transportes nesta segunda-feira (7). Segundo a assessoria da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), só será possível dar um parecer sobre a viabilidade do projeto após a entrega do documento.
Editado por Fernando Zanaga
Abaixo-assinado propõe criação de ônibus exclusivo às mulheres
Por: Juliana Ferreira
Um abaixo-assinado organizado na região do Campo Grande, em Campinas, quer reservar ônibus exclusivos para as mulheres durante os horários de pico na cidade. Organizado por Neusa Concetta, vendedora da região, a iniciativa pretende reduzir os casos de assédio sexual nos veículos do transporte público.
Batizado de “Expresso Mulher”, a ideia do projeto surgiu após as reclamações constantes de passageiras que desembarcavam no Terminal Campo Grande. O abaixo-assinado, iniciado no dia 2 de abril, já teve a adesão de mil pessoas. A proposta do projeto é a instalação de um veículo, com identificação diferenciada, no trajeto que liga o Terminal Campo Grande ao Terminal Central.
Caso seja aprovado para apenas um veículo da linha, o tempo de espera para o ônibus exclusivo para mulheres seria de 1h40. A demora pode ser um fator de recusa da utilização do veículo. Apesar disso, a comerciante afirma que alguns homens também aderiram ao projeto e assinaram o abaixo-assinado.
A separação entre homens e mulheres no transporte público não é inédita no país. No Rio de Janeiro, vigora uma lei desde 2006 que garante exclusividade às mulheres em um dos vagões de metrô da cidade durante a semana em horários de pico.
Os detalhes do projeto e a lista com as assinaturas do “Expresso Mulher” devem ser apresentados ao secretário municipal de Transportes, André Aranha Ribeiro, no dia 7 de maio. A Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa que, a viabilidade do projeto só poderá ser avaliada após a entrega do abaixo-assinado.



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