PSB e PMDB confirmam nomes; outros 4 partidos articulam candidaturas próprias
23/10/2011 - 08:12
EPTV.com - Maurício Barbosa
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A crise político-administrativa de Campinas ganha novos contornos, e novas prorrogações, a cada recurso judicial ou a cada sessão da Câmara. PDT e PT se revezam no poder há 3 meses e as incertezas do cenário mudaram a composição partidária no Legislativo, além dos titulares do secretariado. Mas, assim como no mundo dos negócios, a crise também apontou um campo fértil para outros setores. O PSB já definiu o deputado federal Jonas Donizette à sucessão, enquanto o PMDB está fechado com a indicação do vereador Dário Saadi, dissidente do DEM que acaba de migrar para o partido.
“Os nomes estão se compondo para marcar território, para possíveis composições lá na frente”, lembra o cientista político Pedro Lemos, diretor da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas. “Vai depender muito do processo do Vilagra”, disse o professor na quinta-feira (20), um dia depois de o prefeito deixar o cargo por decisão da Câmara, e horas antes da Justiça manter a decisão.
Antes, agora e depois
O antes e o depois na política de Campinas se confundem com o agora, tantas e tão rápidas são as mudanças. E o PDT do prefeito cassado, Hélio de Oliveira Santos, e do atual-interino, Pedro Serafim Júnior, tenta se reerguer do desgaste para garantir 2012. Dr. Hélio deixou, além da cena política, a presidência do partido, que se rearticulou rapidamente por meio de um interventor na cidade e está disposto a lançar candidato próprio.
Um dos nomes mais cotados é o do próprio prefeito interino, Pedro Serafim Júnior, que assumiu com mudanças no governo e o discurso de sanar dívidas. “É tempo de construção partidária”, diz Cristiano Vilela, interventor do partido em Campinas. Ele cita Tereza Dóro, ex-presidente da Setec e recém-saída do PMDB, como outro nome capaz de disputar a prefeitura.
Divergências
O PSDB também tenta ganhar tempo, resolver suas divergências internas e manter o plano de candidato próprio. Segunda colocada em 2006, quando perdeu no segundo turno para Chico Amaral, a deputada estadual Célia Leão disse que “seria imprudente” se negasse o desejo de se candidatar para 2012, mas que a decisão precisa passar pelo partido. O deputado federal Carlos Sampaio, que já disputou três vezes a prefeitura, e o vereador Artur Orsi, que ganhou notoriedade com o processo de impeachment de Dr. Hélio, são os outros dois postulantes ao cargo.
O PT também não pretende abrir mão da candidatura própria e tem até o candidato preferido por Lula, o economista da Unicamp Márcio Porchmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O nome dele está na lista com outros sete, inclusive do prefeito afastado Demétrio Vilagra. “Depende das ações políticas corretas neste fim de mandato”, disse Ari Fernandes na quinta-feira (20), antes da decisão judicial que manteve o afastamento do prefeito.
Os outros nomes petistas cotados são os de Vicente Abreu, ex-presidente da Sanasa e ex-secretário de Planejamento (1º mandato de Dr. Hélio), Gerson Bittencourt, deputado estadual e ex-secretário de Transportes, além do vereador Angelo Barreto, vereador que está no terceiro mandato, além do ministro Alexandre Padilha, do ex-vereador Renato Simões e e Tiãozinho, secretário de Serviços Públicos que colocou o cargo à disposição nesta sexta-feira.
O PCdoB do ministro do Esporte, Orlando Silva, também planeja lançar nome próprio na briga pelo Palácio dos Jequitibás. O presidente do partido em Campinas, vereador Sérgio Benassi, confirmou que ele próprio é um dos indicados. O ministro, que já era cotado para a missão antes das acusações de desvio de verbas, permanece nos planos do partido para Campinas.
Negociações
A definição pela candidatura própria, ou dos nomes, a corrida agora é pelas coligações. A ideia dos grandes partidos é a mesma: buscar o maior número possível de “parceiros” para fortalecer a candidatura. Os parceiros são os nanicos, legendas sem muita expressão política mas capazes de fazer a diferença nas urnas.
Um dos assediados é o PR, que elegeu o pastor Paulo Freire por Campinas a deputado federal. O PSB já conta como certo a adesão. O PT ainda sonha compor uma chapa com o PDT e o PCdoB, apesar destes já terem decidido pela candidatura própria também.
No mundo da política, e particularmente em Campinas na fase atual, é sempre cedo para dizer quem não se juntaria a quem numa coligação. Mas o PT local já mandou o recado: PSDB, DEM e PPS estão fora de cogitação.
Troca-TrocaO tsunami político que redesenha o mapa da sucessão em Campinas passa pela Câmara. O PDT foi o grande perdedor e ficou com apenas três dos oito vereadores – Serafim Júnior, Leonice da Paz e Aurélio Claudio. Nove vereadores da Casa trocaram de partido e quatro deles migraram para o PMDB, agora a maior bancada, com cinco legisladores.
“Os vereadores votam de olho nas eleições”, diz o cientista político Pedro Lemos, ao analisar a situação na Câmara. A falta de compromisso com a base, ou com ideologia política, tem respaldo no resultado da votação que afastou Vilagra. O governo contava com 18 votos a seu favor, mas foi surpreendido pelo placar desfavorável de 28 a 4.
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