Dos 22 comissionados exonerados, pelo menos cinco teriam ligação com partidos políticos e indicados por vereadores da base governista 19/10/2011 - 22h41 . Atualizada em 20/10/2011 - 08h17
Bruna Mozer
Agência Anhanguera de Notícia
Pelo menos cinco exonerados teriam ligação com partidos políticos (Foto: Janaína Maciel/AAN)
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Uma onda de exonerações publicadas nesta quarta-feira (19) no Diário Oficial do Município (DOM), no dia da votação pelo afastamento do prefeito Demétrio Vilagra (PT), contribuiu para que o clima ficasse ainda mais tenso no Legislativo. Dos 22 comissionados exonerados, pelo menos cinco teriam ligação com partidos políticos e indicados por vereadores da base governista para ocupar cargos na Prefeitura.
Durante a tarde desta quarta, corria nos bastidores da Câmara uma possível 'ameaça' por parte do governo petista na tentativa de evitar o afastamento de Demétrio, o que não funcionou. O prefeito foi afastado do cargo por 28 votos favoráveis, quatro contrários e uma ausência. Quem assume o Palácio dos Jequitibás é o presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT).
Vereadores afirmaram que o sinal de uma possível retaliação ao Legislativo por parte do governo fez com que os ânimos ficassem acirrados e as articulações dos votos mais instáveis.
Um vereador, que pediu para não ser identificado, disse que pessoas ligadas ao PT, com a incumbência de articular a votação, deixaram claro que parlamentares que não votassem a favor de Demétrio passariam à 'pão e água' , referindo-se a um possível boicote por parte Executivo aos vereadores na realização de obras e projetos na cidade. Já os que assumissem o lado do petista - no mínimo 12 para evitar o afastamento - iriam 'administrar Campinas.'
O secretário chefe de gabinete da Prefeitura, Nilson Lucilio, negou as acusações. Disse que as exonerações fazem parte da rotina administrativa da Prefeitura e que é uma das medidas adotadas pelo governo que prometeu reduzir os cargo comissionados criados na gestão de Hélio de Oliveira Santos (PDT), prefeito cassado pela Câmara.
'Já faz uma semana que estamos organizando essa lista, é um trâmite burocrático' , disse. Lucilio foi enfático ao dizer que a possível retaliação apontada pelos vereadores 'não faz sentido' . 'Se fosse verdade, essa atitude causaria uma instabilidade na relação entre a Prefeitura e a Câmara. Isso não ajudaria em nada na votação' , acrescentou.
Grande parte das exonerações publicadas do DOM foi de cargos ligados à Secretaria de Serviços Públicos e de Administrações Regionais (ARs) que, em sua maioria, são gerenciadas por pessoas indicadas por vereadores.
Outros servidores públicos exonerados ocupavam cargos comissionados nas Secretarias de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, Assuntos Jurídicos e Meio Ambiente.
O vereador Josias Lech (PT), líder de governo na Câmara, que fez várias tantativas durante a sessão para evitar a votação, negou que o partido tenha agido realizado algum tipo de pressão para angariar votos a favor de Demétrio. 'Isso é um contra-senso, jamais vamos trocar o voto de um vereador por cargos. Os vereadores votaram de forma independente', disse Lech. Ele também negou que essa possível 'ameaça' tenha causado mal-estar na Câmara durante do dia ontem.
Até a noite de anteontem, uma pesquisa feita pelo Correio apontou que 17 vereadores haviam declarado voto à favor do afastamento; cinco ainda estavam indecisos e outros cinco não foram encontrados pela reportagem.
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