quarta-feira, 25 de abril de 2012

Acúmulo de gás leva riscos a lixão no Satélite Íris




O problema já era para ter sido resolvido, se a Prefeitura, no ano passado, não tivesse alterado o contrato do lixo


25/04/2012 - 08h17 . Atualizada em 25/04/2012 - 08h31 
Maria Teresa Costa  DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Área onde funcionou o lixão no Satélite Íris: solo contaminado
(Foto: Alessandro Rosman / AAN)
O gás causado pelo lixo acumulado em uma área do Jardim Satélite Iris, jogado sem compactação e a céu aberto, corre o risco de explodir. O antigo depósito público, que ficou conhecido como Lixão da Pirelli, por ficar próximo daquela empresa, vem produzindo metano que se acumula no subsolo sem que qualquer medida de segurança, como a queima do gás, seja tomada.

O problema já era para ter sido resolvido, se a Prefeitura, no ano passado, não tivesse alterado o contrato do lixo. Para baixar o custo do aditamento do contrato de R$ 72 milhões para R$ 69 milhões, cortou a vigilância e as obras que deveriam ser feitas pelo Consórcio Tecam na área, como o tratamento do chorume e o monitoramento de águas profundas, além da construção de postos de drenagem de águas superficiais e a instalação de poços para evasão de gases que produzem mau cheiro. O prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT) aditou o contrato, mas diante das reclamações do aumento do preço, decidiu por reduzir o valor. Na época, ele anunciou que a redução tinha sido obtida depois de extensa negociação com o Consórcio Tecam, responsável pela varrição, coleta do lixo e destinação. Agora se sabe que a redução do preço implicou corte de serviços.

Pressionada pelo Ministério Publico, que ganhou uma ação contra a Prefeitura obrigando-a a fazer a remediação da área, o Executivo assinará um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) se comprometendo a adotar medidas de controle. “Queremos um documento assinado, com prazo de execução. Sem isso não vamos renovar a licença ambiental do Delta A, que vence em julho”, disse o gerente regional da Cetesb, Alberto Degressi Neto.

O vencimento da vida útil do Delta A em dois anos e a corrida contra o tempo da Prefeitura para conseguir autorização de um novo aterro foi abordada pelo Correio em reportagem divulgada ontem, a primeira da série sobre os desafios da destinação do lixo em Campinas.

Avaliação

O potencial explosivo do lixão no Satélite Íris é grande, mas localizado, disse o diretor do Departamento de Limpeza Urbana (DLU), Dirceu Pereira Júnior. Como o metano é mais pesado que o ar, explicou, quando sai do subsolo fica na superfície e um raio ou um fósforo pode fazer o local pegar fogo. “Mas seria algo como quando ligamos o gás do fogão e demoramos algum tempo para riscar o fósforo. Quando pega fogo, dá uma explosão e acende. Se ocorrer isso lá, vai ter uma explosão, mas não irá por em risco o entorno. Só se tiver alguém em cima do lixão.”A Prefeitura não sabe qual a quantidade de metano que existe naquela área.

Laudo da Cetesb informa que existe “perigo iminente à saúde pública, devido aos riscos de explosividade e toxicológicos, quer seja aos moradores das residências localizadas nas áreas onde foram dispostos resíduos, quer aos residentes nas áreas vizinhas e, ainda, aos que acessam as áreas que não estão isoladas”. Moradores do entorno do antigo lixão têm receio da situação. A contaminação, a possibilidade de explosão e principalmente a falta de vigilância na área preocupam. Desde que os vigias foram retirados do espaço, que é isolado pela Administração, a iluminação noturna do local foi interrompida, e o terreno, cercado, mas com portões abertos, passou a ser lugar de usuários de drogas. Atualmente a única ação que existe no antigo lixão é a retirada do chorume, que é levado para uma estação de tratamento.

A população é constantemente orientada pelo Município a evitar contato com o espaço contaminado.

O lixão no Íris surgiu em 1972, quando a Prefeitura decidiu utilizar uma área de 42 hectares para depositar resíduos. Por 12 anos os resíduos foram jogados, sem compactação e a céu aberto. A cobertura só ocorreu em 1986, com uma camada de argila.

A partir de 1984, os resíduos passaram a ser depositados no aterro sanitário Santa Bárbara, que recebeu aproximadamente 1,26 milhão de toneladas, em uma área de 420 mil metros quadrados. O aterro contou com um sistema de aproveitamento do biogás gerado, que visava o abastecimento da frota de caminhões da coleta do lixo, mas o projeto foi encerrado. O adensamento populacional nas áreas próximas ocasionou pressão popular para o fechamento do aterro, que ocorreu em 1992.

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