Chegou nesta segunda-feira (14) à
Emdec em um abaixo-assinado com a adesão de 1.470 pessoas, a reivindicação de
implantação de linhas de ônibus exclusivas para mulheres entre a região do
Campo Grande e o Terminal Central.
O presidente do órgão, informou que em 30 dias terá uma
avaliação preliminar sobre se há condições ou não do pedido ser atendido. As
mulheres iniciaram o movimento diante do crescente assédio sexual que enfrentam
dentro dos ônibus.
A organizadora do movimento Expresso Mulher, saiu animada da
reunião em que estiveram presentes também o deputado federal Guilherme Campos
(PSD) e o vereador Dario Saadi (PMDB). “Se for preciso, coletaremos mais
assinaturas, porque as mulheres estão cansadas de serem molestadas dentro dos
ônibus”, afirmou a comerciante.
A organizadora tem um supermercado próximo ao Terminal Campo
Grande e iniciou a coleta de assinaturas depois de ouvir muitas mulheres
reclamando de muitos homens aproveitarem os ônibus lotados para se encostarem
nelas.
O presidente da Emdec informou que precisarão ser feitas várias
análises, a começar por um levantamento junto ao 156 e ao serviço de
atendimento ao usuário de transporte.
“Até receber o abaixo-assinado não tínhamos reivindicações como
essa”, afirmou. Ele disse que é preciso avaliar qual a demanda por esse serviço
e talvez seja necessário um levantamento de campo junto aos usuários. Além
disso, é preciso uma avaliação jurídica e econômica para só então ter uma
avaliação da viabilidade.
Alguns lugares no mundo já possuem linhas de ônibus exclusivas
para mulheres. Na Malásia, país de maioria muçulmana, por exemplo, têm ônibus
exclusivo desde o ano passado. A medida veio depois do lançamento de vagões
rosas nos trens, também exclusivos para elas, para dar às mulheres muçulmanas a
opção de não andar com homens no sistema de transporte do país.
No México também tem ônibus só para mulheres. Lá, o programa
“Viajaremos Seguras” do governo e do Instituto das Mulheres, conseguiu índice
zero de abusos contra as mulheres no transporte público. Na Cidade do México,
100 ônibus pintados de rosa circulam por 25 rotas pela cidade.
No Rio de Janeiro, desde 2006 uma lei obriga empresas
concessionárias do sistema ferroviário e metroviário a destinarem vagões
exclusivos para uso apenas da população feminina em horários de pico. Os vagões
pintados de rosa são restritos às mulheres entre as 6h e 9h e entre 17h e 20h
nos dias comerciais. Uma emenda à lei está tramitando na Assembleia Legislativa
do Rio para que os vagões exclusivos estejam disponíveis às mulheres durante
todo o tempo.

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