março 28th, 2012 Fonte: Blog da Rose
Dois funcionários da Câmara de Vereadores de Campinas são sócios de três fornecedores do Legislativo campineiro. Carlos Eduardo Guida Gaspar, coordenador de contas e responsável pelas licitações da Casa de Leis, e o contador Adilson Dutra Barbosa, são sócios da Vila Siena Empreendimento Imobiliário Ltda – empresa constituída em 17 de fevereiro do ano passado, com capital de R$ 320 mil.
Ocorre que a Siena tem ainda como sócios Renata Aparecida Girardi Floriano, Valdir Aparecido Mancini e André Luiz Scirre. Os três também são proprietários de empresas que foram escolhidas para fornecer produtos e serviços ao Legislativo campineiro.
As relações comerciais investigadas pelo Metro referem-se aos anos de 2008 a 2011.Renata é sócia da RA Girardi e da Futura Informática Ltda. Seu marido é dono da Oreon Comércio e Serviços Gerais Ltda. As três empresas receberam R$ 2,8 milhões entre os anos de 2010 e 2011 no fornecimento de materiais de limpeza e de informática, alimento, manutenção e jardinagem.
Os três sócios têm o mesmo endereço residencial na rua das Caviunas, no Parque Via Norte, em Campinas. Já Mancini é dono da VA Mancini Comércio de Papelaria. Ele é marido de Claudia Andrea Campos Mancini, que é dona da Grinfopel Informática e Papelaria Ltda.
As duas empresas receberam R$ 2,6 milhões. Scirre, por sua vez, é dono da Comercial Bravo Ltda e da André Luiz Scirre – ambas as empresas forneceram produtos à Câmara por um valor de R$ 1,1 milhão. No caso da segunda empresa, o objeto foi alterado em fevereiro do ano passado quando foram incluídos itens de informática e de papelaria.
Outras suspeitas
Há três semanas, o Metro tem denunciado uma série de compras suspeitas feitas pela Câmara. Uma das matérias mostrou que seis compras feitas pelo Legislativo no ano passado, por meio da modalidade carta-convite e que somam R$ 659.817, foram de empresas que têm os mesmos sócios ou endereços (comerciais e residenciais) idênticos.
Todas as aquisições somaram valores um pouco menores do que R$ 80 mil, o que dispensa a licitação pública.A Casa gastou ainda R$ 285 mil na compra de equipamento e treinamento para o painel de votação eletrônico. O problema é que o painel não foi comprado. Mediante a denúncia, a compra foi suspensa.
Contratos serão apurados
A Câmara de Vereadores de Campinas informou que todos os contratos – independentemente do valor – passarão por uma varredura sob a responsabilidade da Procuraria da Casa de Leis. Não foi dado prazo para o término dos trabalhos.
A Casa informou ainda que suspendeu a compra do painel eletrônico, após as denúncias. Já Carlos Eduardo Guida Gaspar, responsável pelas licitações da Câmara, informou por meio da assessoria de imprensa da Casa de Leis, que a Vila Siena Empreendimento Imobiliário Ltda., do qual é sócio, foi constituído para fins específicos.
Segundo ele, oito pessoas, sendo três delas que têm empresas que vendem para o Legislativo campineiro, se uniram para comprar um terreno e construir casas na gleba. Essas moradias poderiam ser utilizadas pelos próprios sócios ou poderiam ser comercializadas. Ocorre que o projeto não teve êxito em razão de a gleba estar localizada no bairro Mansões Santo Antônio, com suspeitas de contaminação, e as casas não foram construídas.
Ele explicou que em Jaguariúna funciona apenas a sede da empresa, que não tem outra atividade. Guida Gaspar disse ainda que não há nenhuma ilegalidade na constituição da empresa. Porém, ele não comentou sobre o fato de pessoas conhecidas ganharem as cartas-convites ou licitações do Legislativo campineiro.
O funcionário disse apenas que todos os procedimentos legais foram obedecidos. No caso da RA Girardo, por exemplo, a contratação foi feita por meio de pregão. Adilson Dutra Barbosa não foi localizado pela assessoria de imprensa para comentar o assunto. Todos os sócios das empresas foram procurados, mas não retornaram às ligações do Metro.

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